História da Doença Atual (HDA)
Paciente do sexo masculino, 79 anos, residente de uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI), admitido no pronto-socorro com febre e tosse. Apresenta histórico de doença de Alzheimer em estágio leve. Na admissão, encontra-se taquicárdico, hipotenso e com alteração do estado mental (perguntando se é hora do jantar). Um documento de diretivas antecipadas de vontade (POLST) de sua instituição indica que ele deve receber fluidos e medicações intravenosas, mas proíbe intubação e compressões torácicas (Ordem de Não Intubar / Não Reanimar - ONI/ONR).

Evolução no Pronto-Socorro
Avaliação e Intervenção Iniciais
Chegada do paciente de uma ILPI demonstrando sinais de Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS) e hipoperfusão.
Avaliação e Intervenção Iniciais
Chegada do paciente de uma ILPI demonstrando sinais de Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS) e hipoperfusão.
Raciocínio Clínico
O paciente é um idoso com febre, tosse, taquicardia e hipotensão. A ausculta pulmonar revela roncos esparsos, e a imagem radiográfica mostra um infiltrado no lobo médio direito. Esta constelação de sinais indica claramente uma sepse secundária à pneumonia. Um 'Código Sepse' é iniciado para garantir a rápida conformidade com as diretrizes clínicas (pacote de medidas ou 'bundle' da sepse), que exige a dosagem de lactato, a coleta de hemoculturas antes da administração de antibióticos de amplo espectro e a administração de um bolus de cristaloides de 30 ml/kg para tratar a hipotensão.
Exames e Achados
- Ausculta pulmonar
- Radiografia de tórax (revelando infiltrado no LMD)
- Solicitação de dois pares de hemoculturas
- Solicitação de ácido lático (lactato)
Achados:
- Roncos na ausculta
- Infiltrado no lobo médio direito
- Febre de 38,9 °C
- Alteração do estado mental / Confusão
Condutas
- Revisão das diretivas antecipadas (ONI/ONR confirmadas)
- Bolus inicial de 500 ml de soro fisiológico
- Prescrição de 30 ml/kg de soro fisiológico
- Prescrição de Ceftriaxona 1g IV
- Prescrição de Azitromicina 500mg IV
⮑ Desfecho e Reavaliação
O paciente permanece confuso, porém colaborativo. O protocolo de tratamento é iniciado enquanto se aguardam os resultados laboratoriais e a resposta à ressuscitação volêmica.
Atualização Clínica e Discussão dos Objetivos de Cuidado
A família (filho e filha) chega e solicita informações sobre o estado do pai.
Atualização Clínica e Discussão dos Objetivos de Cuidado
A família (filho e filha) chega e solicita informações sobre o estado do pai.
Raciocínio Clínico
A pressão arterial do paciente está melhorando após a ressuscitação volêmica da sepse, mas ele continua apresentando um delirium significativo (falando palavras e nomes aleatórios). Como o paciente possui documentação de ONI (Não Intubar) e ONR (Não Reanimar) em suas diretivas antecipadas, é fundamental estabelecer objetivos de cuidado claros com os familiares (que detêm a procuração para cuidados de saúde), preparando-os para uma possível deterioração respiratória.
Exames e Achados
Achados:
- Melhora hemodinâmica (aumento da PA)
- Alteração persistente do estado mental / Delirium
Condutas
- Reunião familiar sobre o prognóstico e as diretivas antecipadas
- Continuidade de fluidoterapia IV, antibióticos e oxigenoterapia suplementar
⮑ Desfecho e Reavaliação
O paciente permanece em delirium, citando 'Nowhere Man'. A família hesita em aceitar a diretiva de ONI, pedindo tempo para pensar sobre permitir uma morte natural em oposição a intervir se ele piorar.
Deterioração Clínica
Alarmes de saturação de oxigênio disparam, indicando hipoxemia aguda.
+1
Deterioração Clínica
Alarmes de saturação de oxigênio disparam, indicando hipoxemia aguda.
Raciocínio Clínico
O paciente apresenta uma dessaturação aguda e agravamento da confusão mental. O diagnóstico diferencial para essa descompensação aguda inclui a progressão de sua pneumonia ou, muito provavelmente neste paciente idoso, um Edema Agudo de Pulmão (EAP) iatrogênico secundário ao bolus agressivo de fluidos de 30 ml/kg exigido anteriormente para o tratamento da sepse/hipotensão. A diurese (para remover fluidos) é contraindicada porque sua pressão arterial voltaria a cair em choque séptico. Para dar suporte à oxigenação sem violar sua ordem escrita de ONI, a Ventilação Não Invasiva com pressão positiva (VNI/BiPAP) é o passo mais apropriado.
Exames e Achados
- Monitorização contínua por oximetria de pulso
Achados:
- Hipoxemia aguda
- Agravamento da confusão ('Não me lembro onde estacionei')
Condutas
- Início de VNI (BiPAP) a 15/5 cmH2O
⮑ Desfecho e Reavaliação
O paciente é colocado em BiPAP. O Dr. Robby alerta a família que, se o BiPAP falhar, uma decisão definitiva sobre a intubação (contra suas diretivas antecipadas) deverá ser tomada.
Imagens Clínicas

Deterioração Crítica e Conflito Ético
Falha do paciente na ventilação não invasiva máxima (BiPAP no limite).
Deterioração Crítica e Conflito Ético
Falha do paciente na ventilação não invasiva máxima (BiPAP no limite).
Raciocínio Clínico
O paciente atingiu as configurações máximas no BiPAP (25/10) e permanece profundamente hipoxêmico (SpO2 na casa dos 80%). Do ponto de vista médico, ele requer intubação orotraqueal imediata. No entanto, ética e legalmente, há um conflito: o paciente tem uma ONI por escrito, mas a família (agindo como representante legal) exige agressivamente a intubação e ameaça com ações legais contra o hospital se a sua demanda como procuradora não for atendida. Sem tempo para consultar o Comitê de Ética do hospital devido ao colapso respiratório iminente do paciente, o Dr. Robby é encurralado e forçado a ceder à demanda da família para intubar.
Exames e Achados
- Avaliação da oximetria de pulso em BiPAP máximo
Achados:
- Falha da VNI (parâmetros 25/10)
- Hipoxemia refratária (SpO2 nos 80%)
Condutas
- Decisão tomada de prosseguir com Intubação Orotraqueal (anulando a ordem escrita de ONI por exigência legal da família)
⮑ Desfecho e Reavaliação
A preparação para a intubação de emergência está em andamento, uma vez que a família se recusa a permitir uma morte natural.
Ajuste de Sedação e Aplicação de Contenção Mecânica
Agitação do paciente e tentativa de autoextubação.
Ajuste de Sedação e Aplicação de Contenção Mecânica
Agitação do paciente e tentativa de autoextubação.
Raciocínio Clínico
Após a intubação forçada contra sua diretiva antecipada no Episódio 2, o paciente encontra-se aguardando vaga no pronto-socorro (boarding) e vivenciando angústia e delirium significativos sob ventilação mecânica (VMI). Ele tenta arrancar seu tubo orotraqueal (TOT). Para evitar uma autoextubação traumática e não planejada, a equipe clínica deve aprofundar a sedação química (infusão contínua de propofol) e recorrer à contenção mecânica física nos membros superiores.
Exames e Achados
- Observação clínica de agitação e assincronia com o ventilador
Achados:
- Tentativa de autoextubação
- Agitação / Delirium
Condutas
- Aplicação de contenção física (mecânica) bilateral nos punhos
- Aumento da infusão IV contínua de Propofol
⮑ Desfecho e Reavaliação
Paciente contido fisicamente; sedação aprofundada para atingir o objetivo adequado na escala RASS (Richmond Agitation-Sedation Scale) e garantir a segurança do tubo orotraqueal enquanto aguarda no PS.
Colapso Hemodinâmico e Objetivos de Cuidado
O paciente apresenta queda da pressão arterial e agravamento da hipoxemia enquanto está agitado no ventilador. A família fica angustiada com o sofrimento dele.
+2
Colapso Hemodinâmico e Objetivos de Cuidado
O paciente apresenta queda da pressão arterial e agravamento da hipoxemia enquanto está agitado no ventilador. A família fica angustiada com o sofrimento dele.
Raciocínio Clínico
O paciente está evoluindo para um choque séptico. O Dr. Robby identifica corretamente que a ressuscitação padrão com fluidos está absolutamente contraindicada devido ao seu edema agudo de pulmão iatrogênico preexistente (fluidos vão 'apenas encher os pulmões dele'). O próximo passo indicado para um choque refratário a volume é iniciar um vasopressor (noradrenalina / Levophed) através de um cateter venoso central (CVC). No entanto, o Dr. Robby enquadra este passo medicamente indicado dentro do contexto ético do prognóstico terminal do paciente, explicando à família que escalar para um acesso central e aminas vasoativas provavelmente causará dano isquêmico aos órgãos e prolongará o sofrimento sem nenhum benefício clínico significativo.
Exames e Achados
- Monitorização hemodinâmica contínua
- Avaliação do ventilador (FiO2 100%)
Achados:
- Hipotensão refratária
- Hipoxemia refratária apesar de O2 a 100%
- Agitação / Delirium
Condutas
- Aconselhamento à família sobre os riscos versus benefícios de um Cateter Venoso Central e uso de Noradrenalina
- Recomendação de interromper qualquer escalada invasiva adicional
⮑ Desfecho e Reavaliação
A família começa a perceber a futilidade das medidas agressivas à medida que o paciente continua falhando no ventilador e evoluindo para choque grave.
Imagens Clínicas


Cuidados Paliativos e Extubação Terminal
A família está lidando com a realidade do declínio terminal do pai e seu sofrimento ativo no ventilador.
Cuidados Paliativos e Extubação Terminal
A família está lidando com a realidade do declínio terminal do pai e seu sofrimento ativo no ventilador.
Raciocínio Clínico
Com a falha do paciente na ventilação mecânica e o desenvolvimento de choque refratário, a continuação dos cuidados agressivos viola explicitamente seus desejos originais de ONI/ONR e prolonga ativamente o processo de morte. O Dr. Robby propõe a 'extubação compassiva' (extubação paliativa). Ao remover o tubo orotraqueal e suspender a sedação, o paciente pode recuperar a consciência brevemente para interagir com sua família, enquanto o oxigênio suplementar garante que ele faleça em paz sem o desconforto do tubo.
Exames e Achados
Achados:
- Falência de múltiplos órgãos irreversível
- Aceitação pela família do prognóstico terminal
Condutas
- Início da discussão sobre Cuidados Paliativos Exclusivos (Medidas de Conforto)
- Decisão finalizada de realizar a extubação paliativa
⮑ Desfecho e Reavaliação
A família concorda com a abordagem humana e paliativa, resolvendo o conflito ético do episódio anterior, priorizando o conforto do paciente e um falecimento tranquilo.
Extubação Paliativa e Suporte Psicossocial
Execução do plano de extubação compassiva acordado.
+1
Extubação Paliativa e Suporte Psicossocial
Execução do plano de extubação compassiva acordado.
Raciocínio Clínico
Antes da extubação, é fundamental realizar a pré-medicação para controlar os sintomas iminentes: glicopirrolato sublingual para secar as secreções e prevenir a angustiante 'sororoca' (roncos da morte), e morfina para tratar a dor e a fome de ar (dispneia). Robby também emprega o 'ho'oponopono', um ritual havaiano de reconciliação (dizendo 'Sinto muito, Me perdoe, Eu te amo, Sou grato'), para fornecer suporte psicológico estruturado aos filhos enlutados.
Exames e Achados
Achados:
- Paciente sedado e pronto para extubação
Condutas
- Remoção do tubo orotraqueal
- Aspiração da orofaringe
- Administração de gotas sublinguais de glicopirrolato
- Administração de Morfina SN
- Colocação de cateter nasal de oxigênio para conforto
- Aconselhamento psicossocial familiar (Ho'oponopono)
⮑ Desfecho e Reavaliação
O paciente é extubado com sucesso. Ele apresenta respiração laboriosa inicialmente, mas consegue descansar com os olhos fechados. A família permanece ao lado do leito.
Imagens Clínicas

Manejo de Secreções Terminais
Paciente desenvolve uma respiração audível e ruidosa ('sororoca') devido ao acúmulo de secreções orofaríngeas.
+1
Manejo de Secreções Terminais
Paciente desenvolve uma respiração audível e ruidosa ('sororoca') devido ao acúmulo de secreções orofaríngeas.
Raciocínio Clínico
O paciente está lutando para lidar com suas próprias secreções orais, resultando em 'sororoca' (ronco terminal). Embora geralmente não seja doloroso para o paciente, é altamente angustiante para a família ouvir. Como as gotas de glicopirrolato foram insuficientes, o Dr. Robby intensifica a terapia anticolinérgica aplicando um adesivo de escopolamina atrás da orelha. Isso fornecerá um controle contínuo e de longa ação das secreções ao longo de 24 horas. Ele também administra um bolus adicional de 2mg de morfina IV para garantir que o paciente permaneça completamente livre de fome de ar.
Exames e Achados
- Avaliação clínica do esforço respiratório e dos ruídos
Achados:
- Acúmulo de secreções na parte posterior da faringe
- Respirações ruidosas e audíveis (sororoca)
Condutas
- Aspiração orofaríngea
- Adesivo de escopolamina aplicado na região pós-auricular
- Morfina 2mg IV administrada
⮑ Desfecho e Reavaliação
As secreções são temporariamente limpas por aspiração. O paciente é mantido confortável enquanto o filho utiliza as frases do ho'oponopono para processar seu luto e se despedir.
Imagens Clínicas

Fim de Vida e Constatação do Óbito
O Dr. Robby é chamado de volta ao quarto quando o paciente entra nos estágios finais do processo ativo de morte.
Fim de Vida e Constatação do Óbito
O Dr. Robby é chamado de volta ao quarto quando o paciente entra nos estágios finais do processo ativo de morte.
Raciocínio Clínico
O paciente exibe respirações agônicas (gasping), um reflexo do tronco cerebral indicando parada cardiopulmonar iminente. Medicamente, não há mais intervenções a serem realizadas. O papel do médico aqui é fornecer contexto clínico à família ('são chamadas de respirações agônicas, indica que está perto do fim') para que não fiquem assustados com o padrão respiratório anormal, e agir como uma presença silenciosa e de apoio enquanto o paciente falece.
Exames e Achados
- Observação do padrão respiratório
Achados:
- Respirações agônicas (gasping)
- Cessação da respiração e dos pulsos
Condutas
- Silenciamento de monitores (concluído anteriormente para minimizar a angústia)
- Suporte à família e validação da presença deles
⮑ Desfecho e Reavaliação
O paciente dá seu último suspiro e falece em paz, cercado pelos filhos.
Diagnósticos e Destino
Evolução Diagnóstica
- [S01E01]Pneumonia de Lobo Médio Direito
- [S01E01]Sepse
- [S01E02]Edema Agudo de Pulmão (EAP) (Secundário à ressuscitação volêmica)
- [S01E02]Insuficiência Respiratória Hipoxêmica Aguda
- [S01E03]Agitação associada à ventilação mecânica / Delirium
- [S01E03]Choque Séptico (Hipotensão refratária a fluidos)
- [S01E03]Extubação Terminal / Cuidados Paliativos Exclusivos (Medidas de Conforto)
- [S01E04]Óbito (Faleceu em paz após extubação paliativa)
Destino Atual
Óbito. O paciente faleceu pacificamente no hospital após uma extubação compassiva e paliativa.
Análise do Casebook
Contexto do Episódio
O caso clínico destaca a corrida matinal no pronto-socorro de pacientes idosos vindos de asilos e Instituições de Longa Permanência (ILPIs). Ele demonstra a natureza sistemática de lidar com infecções graves ('Código Sepse') e esclarece a pressão burocrática que os hospitais enfrentam em relação às auditorias federais sobre as métricas de desempenho do pacote ('bundle') da sepse. No Episódio 2, o caso evolui para uma profunda narrativa de ética médica, evidenciando o angustiante dilema quando os membros da família (na função de representantes legais) entram em conflito com as diretivas antecipadas de vontade escritas expressamente pelo paciente (ONI/ONR). No Episódio 3, a tragédia ética se aprofunda quando o Sr. Spencer é mostrado mecanicamente ventilado no PS, agitado e tentando ativamente arrancar seu tubo orotraqueal. No Episódio 4, o arco se conclui maravilhosamente com uma aula magistral de cuidados paliativos. O paciente é levado para um quarto privativo, a extubação terminal é realizada, e o Dr. Robby utiliza o ritual havaiano 'ho'oponopono' para guiar a família por meio do luto antecipatório, permitindo que o paciente morra com dignidade.
Avaliação do Médico Assistente
Precisão Médica
A representação do protocolo 'Código Sepse' é altamente precisa para os padrões modernos da medicina de emergência. Coletar hemoculturas antes de administrar antibióticos, checar os níveis de lactato, prescrever 30 ml/kg de cristaloides para hipotensão e usar Ceftriaxona associada à Azitromicina para cobrir a pneumonia adquirida na comunidade ou associada à assistência à saúde, são condutas de livro e consistem no padrão-ouro do pacote de medidas SEP-1. No Episódio 2, o desenvolvimento de Edema Agudo de Pulmão (EAP) após uma ressuscitação volêmica agressiva (30ml/kg) para sepse em um paciente idoso é uma complicação muito comum e realista. Os eventos do Episódio 3 capturam perfeitamente a transição dos cuidados agressivos fúteis para a paliação. No Episódio 4, a demonstração dos cuidados paliativos é excepcionalmente realista e elogiável. O uso de glicopirrolato sublingual e adesivo de escopolamina para controlar as secreções terminais (a 'sororoca') é prática padrão. Administrar morfina para tratar a fome de ar, desativar os alarmes dos monitores para evitar o sofrimento da família e explicar a 'respiração agônica' (gasping) para os filhos em luto, são marcas registradas de um médico exemplar e compassivo no manejo de cuidados de fim de vida.
Complicações e Erros
- Edema Agudo de Pulmão Iatrogênico: Os pulmões do paciente encheram de líquido como complicação direta da ressuscitação volêmica agressiva exigida para a apresentação inicial da sepse.
Pérolas Clínicas
Sempre verificar precocemente as diretivas antecipadas de vontade (POLST/Testamento Vital) de pacientes provenientes de ILPIs ou asilos antes de iniciar procedimentos invasivos de suporte à vida.
O pacote ('bundle') de 3 horas da sepse exige dosagem de lactato, hemoculturas antes dos antibióticos, antibióticos de amplo espectro e um bolus de cristaloides de 30 ml/kg em caso de hipotensão ou lactato >= 4 mmol/L.
Pacientes idosos com pneumonia frequentemente apresentam sintomas atípicos, como alteração do estado mental ou letargia, que podem ser mais proeminentes do que os clássicos sintomas respiratórios como a tosse.
A ressuscitação volêmica agressiva em pacientes idosos com sepse carrega um alto risco de edema agudo de pulmão (EAP) iatrogênico, exigindo um equilíbrio cuidadoso da hemodinâmica com o status respiratório.
O representante legal de saúde (procurador) de um paciente pode, às vezes, anular legalmente uma diretiva antecipada escrita caso alegue ser isso o que o paciente desejaria, gerando significativo sofrimento ético para as equipes de emergência.
Pacientes com demência subjacente ou delirium estão sob um risco altíssimo de agitação na ventilação mecânica. Prover sedação adequada (ex: Propofol, Dexmedetomidina) e aplicar contenções físicas mecânicas (faixas) geralmente são condutas necessárias para evitar a autoextubação traumática.
No choque refratário a fluidos, ou choque no qual os fluidos são contraindicados (ex: EAP), a terapia de escolha seguinte recai sobre os vasopressores (como a noradrenalina) administrados por meio de um Cateter Venoso Central (CVC).
A extubação paliativa ou 'compassiva' envolve remover o tubo orotraqueal, controlar os sintomas angustiantes (como a fome de ar) com opioides ou oxigênio suplementar, e, ocasionalmente, reduzir a sedação de maneira a permitir uma última interação significativa com os familiares antes do falecimento.
Secreções terminais, conhecidas no Brasil como 'sororoca', ocorrem quando o paciente moribundo já não consegue clarear suas secreções orofaríngeas. Podem ser tratadas com agentes anticolinérgicos, como gotas de glicopirrolato sublingual ou adesivo transdérmico de escopolamina.
Desativar os alarmes cardíacos e de oximetria de pulso durante o processo ativo de morte é um passo fundamental para reduzir a ansiedade dos familiares presentes.


