História da Doença Atual (HDA)
Curtis Larson, paciente adulto do sexo masculino, foi trazido ao Pronto-Socorro (PS) após relato de consumo de álcool em um campo de golfe. Na admissão, apresentou-se profundamente combativo, desencadeando um 'Código Hula Hoop' (agressão a profissional de saúde) após aplicar uma chave de pescoço (mata-leão) em uma enfermeira (Emma). Durante o confronto, ele escorregou e sofreu um traumatismo cranioencefálico (TCE) fechado que resultou em epistaxe. O paciente foi contido quimicamente (sedação aguda) por outra enfermeira (Dana) utilizando 4 mg de Midazolam (Dormonid) que estava acessível no momento.
Evolução no Pronto-Socorro
Agitação Aguda e Contenção Química
Código Hula Hoop - O paciente agrediu fisicamente a enfermeira Emma.
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Agitação Aguda e Contenção Química
Código Hula Hoop - O paciente agrediu fisicamente a enfermeira Emma.
Raciocínio Clínico
O paciente representa uma ameaça física imediata para a equipe e para si mesmo. Uma sedação química rápida é necessária para garantir a segurança do ambiente. Após a sedação, a combinação de etanol, benzodiazepínicos e o TCE recente torna o seu estado neurológico altamente vulnerável, exigindo a realização de uma Tomografia Computadorizada (TC) de crânio de emergência para descartar hemorragia intracraniana (HIC).
Exames e Achados
- Avaliação clínica do trauma craniofacial (epistaxe evidenciada)
Achados:
- Epistaxe
- Agitação psicomotora grave resolvida mediante sedação
Condutas
- Administração de 4 mg de Midazolam (Dormonid) via IM pela enfermeira Dana
⮑ Desfecho e Reavaliação
Paciente sedado com sucesso, porém agora apresenta rebaixamento do nível de consciência multifatorial devido à mistura de álcool, Midazolam e o TCE. Solicitada TC de crânio.
Imagens Clínicas

Avaliação Diagnóstica e Despertar do Paciente
O paciente recobra a consciência após a dissipação da sedação e relata amnésia do episódio de agressão.
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Avaliação Diagnóstica e Despertar do Paciente
O paciente recobra a consciência após a dissipação da sedação e relata amnésia do episódio de agressão.
Raciocínio Clínico
Necessidade de avaliar os resultados da TC para descartar lesão cerebral estrutural decorrente da queda. Necessidade de rastreio toxicológico para justificar a violência extrema atípica e a amnésia anterógrada subsequente. A presença simultânea de cocaína e álcool explica a gravidade da agitação através da formação de cocaetileno.
Exames e Achados
- TC de Crânio sem contraste
- Rastreio Toxicológico (Sangue/Urina)
Achados:
- TC de Crânio: Negativa para fraturas de abóbada/base de crânio ou hemorragias intracranianas.
- Toxicologia: Positivo para Etanol e Cocaína.
Condutas
- Educação clínica (orientação médica) fornecida ao paciente quanto aos efeitos do cocaetileno.
⮑ Desfecho e Reavaliação
O paciente fica chocado com suas próprias atitudes, mas permanece hemodinamicamente estável e sem déficits neurológicos focais. Mantido em observação clínica de acordo com o protocolo para TCE leve.
Imagens Clínicas

Liberação Médica (Alta) e Desfecho
Período de observação concluído; paciente pronto para definição de desfecho / alta.
Liberação Médica (Alta) e Desfecho
Período de observação concluído; paciente pronto para definição de desfecho / alta.
Raciocínio Clínico
O paciente não apresenta mais sinais de intoxicação aguda, não possui lesões traumáticas agudas que exijam internação e completou satisfatoriamente o período de observação pelo seu TCE leve. Ele recebe liberação médica (alta clínica) para ser entregue à custódia policial (Polícia Militar/Civil) devido à agressão a um profissional de saúde.
Exames e Achados
- Exame neurológico final
Achados:
- Neurologicamente intacto, Escala de Coma de Glasgow (ECG) 15.
Condutas
- Preparação do sumário de alta / documentação de liberação médica.
⮑ Desfecho e Reavaliação
O paciente torna-se verbalmente abusivo ao perceber que será detido, ameaçando processar o hospital, mas permanece fisicamente cooperativo.
Diagnósticos e Destino
Evolução Diagnóstica
- [00:02:44]Agitação Aguda / Alteração do Nível de Consciência
- [00:02:44]Traumatismo Cranioencefálico (TCE) / Concussão Leve
- [00:30:12]Toxicidade por Cocaetileno (Intoxicação por Múltiplas Substâncias / Poliuso)
Destino Atual
Alta médica direta com encaminhamento para custódia policial devido à agressão física cometida contra um profissional de saúde.
Análise do Casebook
Contexto do Episódio
O caso destaca o problema crônico da violência no ambiente de trabalho dentro do Pronto-Socorro. Ele desencadeia uma reação em cadeia de conflitos éticos e administrativos, especificamente em relação a uma enfermeira (Dana) que utilizou entorpecentes (Midazolam) mantidos 'no bolso' de forma irregular para proteger uma colega mais inexperiente (Emma). Isso força a chefia do PS a encontrar um equilíbrio entre a proteção imediata da integridade física da equipe e o cumprimento das rígidas diretrizes hospitalares de controle e dispensação de medicamentos psicotrópicos.
Avaliação do Médico Assistente
Precisão Médica
A explicação médica da série sobre a toxicidade do cocaetileno é altamente precisa e rigorosa. Na coingestão de cocaína e etanol, o fígado sintetiza o cocaetileno, um metabólito que é mais tóxico para o sistema cardiovascular do que a cocaína isolada, possui uma meia-vida mais longa e está fortemente associado a quadros de agitação profunda, impulsividade e morte súbita cardíaca. A decisão clínica de garantir a realização de uma TC de crânio após um paciente sedado sofrer uma queda condiz integralmente com o padrão-ouro de atendimento (Standard of Care).
Complicações e Erros
- O fato de uma enfermeira carregar uma seringa já aspirada de Midazolam não descartada (ou não registrada) 'só por precaução' constitui uma violação gravíssima dos protocolos de farmácia e segurança, representando um alto risco de desvio de entorpecentes. Embora na dramaturgia seja retratado como um ato heroico para salvar uma colega, na prática clínica real isso resultaria em severas sanções disciplinares ou demissão por justa causa.
Pérolas Clínicas
Toxicidade por Cocaetileno: A coingestão de cocaína e álcool cria um metabólito único e altamente tóxico. Deve-se suspeitar dessa condição sistêmica em pacientes que apresentem uma psicose induzida por substâncias com duração prolongada ou uma violência excepcional.
Exames Neurológicos Mascarados: Qualquer paciente que sofra um traumatismo cranioencefálico e seja subsequentemente submetido a uma contenção química ou mecânica perde a capacidade de demonstrar sinais clínicos de um déficit neurológico evolutivo (focalização). Tais pacientes devem ser colocados no topo da prioridade para a realização de uma TC de crânio sem contraste.
Contenção diante da Violência Laboral: Ao instituir a contenção química em pacientes extremamente violentos, o padrão ouro inclui o uso intramuscular de Midazolam, Cetamina ou Haloperidol/Droperidol. É um imperativo médico garantir sempre a permeabilidade e a proteção das vias aéreas do paciente imediatamente após a administração da droga, especialmente na vigência de intoxicação alcoólica concomitante.